O Hexa Não Vem #4
Hoje tem resenha (do novo livro do McEwan)
O vagabundo não tá lá
Chegou o dia de mais um jogo da seleção, mais uma chance de humilhação. Mas, pelo menos, não vamos contar com esta perna na partida. Olhe bem para ela. Analise a curvatura dessa canela e panturrilha. Encare as profundezas desse joelho. Você diria que esta perna faria diferença para o nosso time?
Sentiu a confiança?
Pois é. O Brasil joga hoje na Filadélfia. O centro de treinamento dos brasileiros fica em Nova Jersey, então o vagabundo do Neymar não estará em campo para dar apoio moral ao time.
Eu acho que essa ausência pode trazer sorte para a seleção e até acredito na capacidade dela vencer o Haiti. Talvez a ausência de Neymar seja tudo o que a seleção precisa para ter um desempenho melhor, como se um encosto fosse retirado do caminho, deixando os nossos atletas livres para correr em campo sem medo de chatear o ex-craque com sua boa condição física.
Dizem que ele deve estar pronto para participar da partida contra a Escócia no próximo dia 24, mas espero que ele tenha que ficar mais um tempo de molho. Pelo bem do nosso futuro na competição, sabe?
Tem quem gosta do Messi, tem quem gosta do Cristiano Ronaldo, e segundo este gráfico, há uma diferença clara na personalidade e capacidade dos fãs desses jogadores:
E tem o Tiago Leifert, que dentre todas as opções de jogadores belos e talentosos, escolheu admirar o Neymar.
Leifert cometeu um vídeo rasgando a seda pro Neymar, ignorando estatísticas, campeonatos e a realidade ao dizer que o jogador das pernas fracas e sêmem forte é um gênio. Quando a pessoa não tem critérios, ela tende a ser assim. Tudo o que é falso e genérico lhe apetece. Dizer isso enquanto Messi está vivo é sacanagem. Me pergunto qual é a origem dessa fixação de Leifert com o Ney. Existe uma amizade sincera entre os dois, ou o jornalista está desesperadamente tentando entrar pra turma de parças do jogador?
Não sei, é um mistério, mas quando você achar que fez uma escolha errada na vida, lembre de Tiago Leifert. Nada é pior do que ter Neymar como ídolo.
Hora da Resenha!
O homem gosta de ler, e o homem pode estar nervoso no ônibus indo até o estádio onde o Brasil irá enfrentar o Haiti. Para relaxar, o jogador Danilo abre um livro: o romance O que podemos fazer, de Ian McEwan (Companhia das Letras, tradução de Jorio Dauster).
É 2119, o derretimento das geleiras aumentaram o nível do mar. A explosão de um míssil russo no oceano Atlântico causa tsunamis imensas que transformam a Grã-Bretanha em um arquipélago. Muitos morreram, mas a civilização tratou de se adaptar a essas tragédias causadas pelos antepassados daqueles que vivem hoje. Thomas Metcalfe, professor e pesquisador, dedica seu trabalho ao poeta Francis Blundy, que num jantar em 2014 presenteou sua esposa, Vivien, com um longo poema em sua homenagem. Um poema que fala de rios, montanhas e as coisas da natureza. Um poema que, talvez, referencie as preocupações com o clima.
Nada disso. Blundy era daqueles que só se importava com a arte e estava cansado desse mimimi de aquecimento global. Nada poderia abalar mais a sua vida idílica no Celeiro, construção no interior inglês que restaurou para viver na paz da natureza — enquanto ignora e despreza os esforços para salvá-la.
Viajando para as bibliotecas que restaram nesse futuro apocalíptico, ele tenta entender o clima daquele jantar, a dinâmica entre os convidados, os sentimentos de cada um, com foco na musa do poeta, que remói tudo o que desistiu de fazer por Francis.
A discussão quanto ao aquecimento global só permeia a trama, porque no fundo McEwan fala de amor. Até pra gente entender como Vivien viveu com este homem claramente desprezível, apesar de talentoso, que só pensa na sua poesia. O tema aparece no meio do primeiro encontro entre Vivien e Francis em forma de um protesto estudantil que atrasa o encontro, ou surge nas lembranças de Thomas em suas aulas, com alunos desinteressados pela arte feita por aqueles que deixaram o mundo colapsar.
Thomas também está às voltas em um relacionamento com Rose, colega de trabalho que não entende esse interesse quase íntimo do pesquisador com o tema de sua pesquisa. O que é interessante nessa primeira parte é essa leitura que alguém do futuro tenta fazer da obra de alguém do passado, alguém que viveu num mundo totalmente diferente, e como a arte pode ser uma janela para entender esse passado.
O livro fica ainda melhor na segunda parte, que consiste em um diário de Vivien Blundy desenterrado por Thomas. E aí tudo o que foi conjecturado na primeira parte é esclarecido. Vivien é uma loba, apenas. Ela fala do seu primeiro casamento e do Alzheimer do primeiro marido, relembra o primeiro encontro com Francis e o que o motivou, revela um segredo que passamos o livro todo sem saber que existia. Coisa de romanção bom.
Gostei muito, e quem sabe o jogador Danilo, ao ler O que podemos saber, transfira a sua preocupação com o desempenho da seleção brasileira em campo para a preservação da arte e da natureza.
A Copa tem carisma
Um dos grandes acertos da Fifa em 2026 é a escalação dos times antes da bola rolar. Porque neste momento, antes de descobrir qual jogador tem mais talento com a bola, temos um vislumbre de sua personalidade, do seu carisma (ou falta de). Até agora, ninguém aproveitou melhor esse recurso do que os atletas da Jordânia:
(A dancinha da onda e a pomba da paz foram os meus favoritos)
Outro jogador que surpreendeu com seu carisma foi o loiro Haaland, da Noruega, que apesar de ser loiro e mal diagramado, esbanja bom-humor em suas redes sociais:
(Agora é Ornaldo, quero nem saber)
Nosso Luiso Sonzo ainda vai fazer muita gente feliz nessa Copa.
Eu não gosto de loiros, mas pra esse vou ter que deitar.
Ah é, os jogos…
Fiquei com preguiça de escrever a newsletter ontem, é muito jogo pra “cobrir”.
França 3 X Senegal 1: Kylian Mbappé mostrou a que veio, fez seus gols, está na corrida pela artilharia em copas junto com Messi e Cristiano Ronaldo, mas pelo menos Senegal teve o seu pontinho no saldo de gols. Porém, esse jogo deveria ter sido 3 a 3, porque só uma intervenção divina explica aqueles dois gols de Senegal que tinham tudo pra entrar. Aliás, simpatizo com os franceses, apesar das memórias de 1998. É um povo que sente, que se revolta, que guilhotina reis e rainhas, queima carros e comemora enfiando a própria bandeira no cu. Dos grandes, a França é a Seleção que mais respeito.
Iraque 1 X Noruega 4: Pois é, o diabo loiro contribuiu demais com essa singela goleada em cima do Iraque, que também conquistou seu golzinho de consolação. Mas o último gol de Haaland deveria ter sido anulado, porque claramente teve um braço participando da jogada.
Argentina 3 X Argélia 0: O filho do grande Zinedine Zidane não conseguiu segurar os balaços de Messi, mas também, não tem como: o cara tem um tempero especial:
A falta de desenvoltura social talvez seja o segredo do craque.
Áustria 3 X Jordânia 1: Eu não esperava que a Áustria fosse assim boa, ou é a Jordânia que é ruim? Tanto faz, foi aquele jogo da madrugada que quase ninguém viu, mas pelo menos estive acordada para ver a escalação dos kingos. Dormi antes mesmo do segundo tempo.
Portugal 1 X República Democrática do Congo 1: Eu nunca entenderei o amor do homem hétero por Cristiano Ronaldo. Eu sei que ele joga bem, que tem a comemoração de gol mais copiada do mundo, que ele é lindo e bronzeado, mas deixou muito a desejar nessa partida. Empate mais do que merecido do Congo, e safoda Portugal!
Inglaterra 4 X Croácia 2: Duas seleções fortes, afinal, Croácia ficou com o quarto lugar na última Copa. Esperava mais dela, porém um jogo com 6 gols nunca será um jogo decepcionante. E a Inglaterra enfrentou bem as adversidades que vêm enfrentando em sua ex-colônia, que parece estar querendo se vingar de seus velhos donos com roubos, furacões e terremotos:
Gana 1 X Panamá 0: Jogo fácil para Gana, já que enfrentava um chapéu.
Uzbequistão 1 X Colômbia 3: Não lembro nada dessa partida porque o sono bateu cedo. Perdão.
Tchéquia 1 X África do Sul 1: Aparentemente, o jogo foi fraco até os últimos minutos da partida, quando finalmente saíram os gols dos dois times que abriram a segunda rodada da fase de grupos. Ainda bem que perdi, pois estava lá no Jesuíno Brilhante almoçando (fica a indicação gastronômica).
Suíça 4 X Bósnia Herzegovina 1: O time da neutralidade meteu uma bela goleada nos bósnios, que possuem em seu time vários atletas nascidos na Suíça. Talvez tenham se sentido constrangidos em fazer gol na sua nação-mãe.
Canadá 6 X Catar 0: A partida mais maluca até agora, porque não só foi a primeira vez que o Canadá venceu uma partida da Copa, como também contou com uma perna quebrada (quase um cosplay da perna do Neymar), entradas duras do Catar e até cenas lamentáveis após o apito final. Fiquei feliz demais com essa conquista dos canadenses, e exijo a expulsão do Catar da competição. Como, me digam como que o Catar se classificou pra Copa? (E a Itália lá…)
México 1 X Coreia do Sul 0: A quinta-feira encerrou com os donos da casa conquistando sua classificação para os 16 Avos de final em cima da Coreia, que veio vestida de lavanda com cheirinho de Downy:
Só não empataram porque um jogador do México fez uma belíssima defesa de bicicleta bem na linha do gol. Mas, no fim, foi um jogo morno, piorado infinitamente pela narração de Dandan na SporTV, me obrigando a trocar a transmissão para a Cazé TV (no momento em que fiz isso, o narrador de lá falava sobre suas bandas de K-Pop favoritas, ou seja: muito melhor que o canal de esporte da Globo).
Agenda do dia
A sexta-feira começa com Estados Unidos e Austrália às 16h, segue com Escócia e Marrocos às 19h e encerra com Brasil e Haiti às 21h30.
E os trabalhos abrem no sábado já à meia-noite com Turquia e Paraguai, depois às 14h tem Holanda e Suécia, às 17h é a vez de Alemanha e Costa do Marfim (não precisa fazer 7 gols, tá, Alemanha?), às 21h tem Equador e Coração e às 23h o dia se encerra com Tunísia e Japão.
E essa foi só a primeira semana, faltam 3.
Hey! Dê aquele salve para a galera do BlueSky e/ou Instagram linkadas aqui na edição. Essa galera é que faz a minha internet ser feliz.
Se você perdeu a edição anterior, leia aqui:
O Hexa Não Vem #3
Quero começar a cobertura de hoje falando sobre ilusão. Porque a Copa do Mundo é o melhor momento para o brasileiro se iludir com a esperança de uma vitória. Toda publicidade realizada em torno da Copa fala do Hexa, da vontade de conquistar o sexto caneco da Seleção, da esperança das crianças de viverem a alegria da festa, da comemoração do Melhor Futeb…








suas newsletters da copa tão na alta prioridade do meu gmail, pfv não pare
Essa perna tá parecendo que a qualquer momento sairá um ET dela.
É esse o camisa 10 do hexa!