O Hexa Não Vem #2
A Copa é do México
O segundo dia de Copa
Como prometido na primeira edição desta cobertura vagabunda da Copa, eu iria falhar. Ontem não teve newsletter por pura falta de vontade minha, mas hoje tem.
E quero começar falando que esta Copa é do México. Não é do México, dos EUA e do Canadá. Porque se formos avaliar o desempenho das outras duas aberturas que aconteceram nos países ao norte do México, é possível notar a falta de vontade dos anfitriões que falam inglês (e francês) de estarem sediando este evento.
No Canadá, o show inicial contou com uma lista de artistas canadenses desconhecidos para o resto do mundo. Pô, cadê a Celine Dion? A Avril Lavigne? A Shania Twain? O Justin Bieber? A Carly Rae Jepsen? Pelo menos contamos com a presença de um Michael Bublé para agradar as mães, avós e tias da família — o Maurício Manieri deles, só que com muito mais carisma, beleza e sucesso. Aliás, linda homenagem ao Dia dos Namorados aqui no Brasil, com certeza teve mão do pai do Dória nisso.
Também não gostei da escalação de Alanis Morissette para cantar o hino, embora ela tenha feito um ótimo trabalho. Acho que ela foi mal aproveitada, seria muito mais legal meter um “You Oughta Know” com o estádio todo gritando AND I’M HEEEEEERE, TO REMIND YOOOOOOOU… Levantaria a torcida insossa, traria emoção de verdade para o espetáculo.
(Will Arnett deu o discurso bonitinho pré-hino das seleções, outro desperdício. Poderia ter realizado uma belíssima apresentação de mágica.)
Nos EUA o show ficou por conta de Lisa, do Blackpink, Anitta e um rapper que desconheço, cantando a música da Copa que, até agora, não pegou. Puro desânimo. Ainda perdi o início da apresentação porque tive que ir buscar erva.
(Lisa e Anitta se apresentaram para cadeiras vazias e algumas pessoas.)
Nem Katy Perry conseguiu levantar o ânimo da galera com mais uma canção genérica, e seu look pro evento me trouxe lembranças daqueles fitilhos prateados que a gente colocava nas árvores de Natal de antigamente. Não rolou.
Então cravo com tranquilidade que o único país que entregou um show digno de abertura foi o México.
Os únicos que estão vivendo o clima de Copa em todo o seu auge são os mexicanos. Então só o México merece ser chamado de sede do mundial. Não importa se a maioria dos jogos acontecerão em outro país. Aqui é Copa do México, com partidas no México, no México do Norte e no México Mais Ao Norte.
O primeiro empate do mundial foi uma cortesia de Canadá e Bósnia Herzegovina (que parece mais nome de grife do que de país, um beijo pro Alexandre Herchcovitch). Ficaram no 1 X 1, sem muita animação ou belas jogadas.
Já o Paraguai mostrou que ama deitar pra um estadunidense, pois perdeu de incríveis 4 a 1 do time do Tio Sam, sendo que o primeiro gol dos EUA foi uma cortesia do Paraguai.
É a energia dos bolsonaristas que elegeram o país como refúgio dando resultado. Ninguém esperava que os EUA fossem entregar futebol, já que lá se chama “soccer”, mas nunca podemos desconfiar da capacidade deles de comprarem uma competição. É bom ficar de olho, porque tem algo errado aí.
O terceiro dia
EUA e Paraguai foi a partida com mais número de gols até agora, e o terceiro dia foi tão xoxo que ficamos com apenas 5 gols durante os três jogos que rolaram no sábado. Catar e Suíça ficaram no 1 x 1, Haiti e Escócia ficou no 1 a 0 pro país da gaita de foles, e o Brasil…
O Brasil entregou o que vinha prometendo: nada. O placar foi aberto pelo Marrocos, do jeito que eu imaginei, e o único jogador verdadeiramente em campo era Vini Jr., que fez um golaço para garantir um empate pro Brasil — há boatos de que ele voltou com a Tigrinha, nada como um homem apaixonado para fazer alguma coisa. Ancelotti ficou com cara de cu a partida inteira, ruminando seu chicletinho enquanto mantinha o menino Endrcik no banco.
Mas a minha maior decepção da partida foi o Marrocos. Porque do Brasil eu não esperava muito, terminar empatado foi até lucro. Já o Marrocos, que prometia ser o maior adversário do grupo C, deixou a desejar no saldo de gols. Eu queria a humilhação da Seleção Canarinho, eu queria a desmoralização desse elenco afundado em bets (menos Danilo, que entrou na campanha #BlockNoTigruinho), eu queria criança chorando com o massacre que o cuscuz marroquino daria no cuscuz paulista. Não foi dessa vez.
Mas, pelo menos, a humilhação pode ser maior caso o Brasil perca para o Haiti ou a Escócia, dona da melhor camisa da Copa até o momento (já garanti a minha).
(Ancelotti sobre a atuação do time.)
Como destaque da partida, temos o árbitro SLAVKO VINCIC, um daddy gostoso que controlou muito bem o jogo e que, segundo informações, já esteve preso por envolvimento com prostituição, tráfico de drogas e armas, mas foi inocentado após constatação de que ele caiu no evento achando que era apenas um almoço de negócios. Quem nunca.
Mas, no final, não podemos dizer que o Brasil não deu o seu sangue.
Aliás, uma dica para você se estressar menos com a transmissão dos jogos do Brasil: deixe o Camisa 24 como segunda tela e seja feliz:
O quarto dia já começou
Eu e mais de 1 milhão de pessoas sacrificamos o nosso sono para ver a partida Austrália X Turquia, que aconteceu à uma da madrugada. Foi eleita a melhor partida até agora. Muitos chutes a gol, boa disputa de bola, duas seleções que mostraram vontade de jogar.
A Austrália ainda fez caridade trazendo um italiano para a partida:
Se juntar ele com o Ancelotti, o Andrea Bocelli e o técnico da Turquia, que também é italiano, podemos dizer que temos quase um time da Itália na Copa.
Eu só não tenho memórias do segundo gol da Austrália, porque no segundo tempo eu já tinha tomado meu Donaren para poder dormir, e nem lembro de quando fui me deitar definitivamente. Mas foi um bom jogo.
Análise publicitária
Que a publicidade nos ilude, nós já sabemos. Mas em tempo de Copa, as marcas pesam ainda mais na ilusão. Não, o hexa não vai vir, como diz o título dessa cobertura, e a única marca que entendeu isso foi o Mercado Livre.
A peça publicitária deles relembra a última alegria do brasileiro, o penta de 2002, e encerra com Ronaldo Fenômeno dizendo “Enquanto houver torcida, o Brasil sempre será o país do futebol”, antecipando que 2026 não será o ano da Seleção Caralhinho.
Só uma empresa argentina com sede no Uruguai para fazer uma publicidade calcada na realidade do nosso time. Não adianta sonhar, só torcer pra não ser tão ruim.
Agenda do Dia
A bola volta a rolar hoje às 14h com Alemanha e Curaçao, que promete muita tristeza para este pequeno país que está estreando no mundial. Mas acho bom, que já mostra pra eles que não adianta ter esperança.
Às 17h tem Holanda e Japão, que pra mim será o jogo mais promissor do dia. Às 20h tem Costa do Marfim e Equador, e o dia acaba às 23h com Suécia e Tunísia. Estaremos ligados.
Hey! Dê aquele salve para a galera do BlueSky e/ou Instagram linkadas aqui na edição. Essa galera é que faz a minha internet ser feliz.
Se você perdeu, leia sobre o primeiro dia de jogo aqui:
O Hexa Não Vem #1
Sim, este lugar segue sendo o sou meio vagabunda, mas sou boa pessoa. Mas digamos que eu terei muito tempo livre durante a Copa do Mundo e, como fiz em anos anteriores de home office, assistirei à todos os jogos possíveis. Eu serei, basicamente, esse cara:





Eu já me dou por satisfeita em poder relembrar como é vestir verde e amarelo sem ser confundida com bebedor de detergente.
No minuto seguinte da eliminação do Brasil já irei correndo guardar a camisa por mais 4 anos.
Taize eu adorei o seu texto. A Copa pode ser contada de múltiplas formas. O hexa não vem mas até a gente cair a gente finge que acredita, e depois desce o cacete. Hahahahaa